ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES - AMCLAM

PATRONO

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Cadeira nº 10

Nasceu em 09 de julho de 1915, no município de Cururupu-MA.

Era filho de Jorge Abrão e Enedina Pimenta Faray. Após o falecimento de sua mãe, migrou para a cidade de São Luís na companhia de seu pai, ainda muito jovem.

Ingressou na Polícia Militar em 20 de setembro de 1933, como soldado, galgando as graduações e postos da carreira militar após a realização de cursos, sendo promovido ao posto de Tenente Coronel por merecimento em 27 de janeiro de 1951 e, por fim, ao ápice da carreira militar estadual, o coronelato.

Em 1958 formou-se em direito, na Faculdade de Direito do Maranhão.

Exerceu os seguintes cargos: Chefe do Estado Maior da Polícia Militar do Maranhão; Chefe do Gabinete Militar do Governo do Estado do Maranhão; Chefe de Polícia (Secretária de Segurança); Interventor do Município de Magalhães de Almeida; Interventor do Munícipio de Urbano Santos; Auditor Geral do Munícipio de São luís; Juiz Auditor da Justiça Militar do Maranhão; Comandante Geral da Polícia Militar do Maranhão (de 13/07/1950 a 17/03/1951, de 1956 a 1961 e de 1962 a 1964); Professor (Estado – e dos Municípios de São Luís-MA, e Vitória do Mearim-MA); e Idealizador, fundador e professor do curso de pré-vestibular em Vitória do Mearim-MA.

Chegou a responder interinamente pelo governo do Estado em 1957, quando o Dr. Matos Carvalho, eleito pelo Partido Social Democrático (PSD) viajou para o Rio de Janeiro, na tarde do dia 11 de novembro de 1957, com o objetivo de resolver problemas de interesse do Estado na capital da República. Em companhia do Chefe do Estado viajaram os Srs. Eugênio Barros, Ademar Maia de Aguiar, José de Freitas Santos, Dr. Clodoaldo Cardoso, Dr. Eduardo Aboud, Deputado Lauro Berredo, João Vieira Filho e Haroldo Cavalcante, representantes da indústria têxtil maranhense.

De acordo com a Constituição do Estado, caberia ao Dr. Alexandre Costa, como Vice-Governador eleito, assumir a chefia do Executivo. No entanto, Dr. Matos Carvalho viajou sem transmitir o cargo ao Vice-Governador, ficando responsável pela Chefia do Governo, o Coronel Arlindo Faray, Assistente Militar do Governador. Antes da viagem, falando aos homens do PSD no Palácio dos Leões, o Dr. Matos Carvalho declarara o seguinte:

“Não posso dizer quando regresso. Se não houver movimento do dr. Alexandre Costa para tomar conta do governo, ficarei no Rio algumas semanas, a fim de tratar de vários assuntos de interesse do Estado, inclusive liberação de verbas. Mas, se o vice-Governador se movimentar, procurando por meio de mandado de segurança, assumir a chefia do Governo, então tratarei logo do regresso, de maneira que o Estado não fique às suas mãos. Isso equivale a dizer que posso regressar até mesmo amanhã”.

Segundo Paulo de Tarso:

O coronel Arlindo Faray era irmão de dona Enedina Faray (Dona Cocota), que foi casada com o juiz e empresário Emílio Abraão Faray, o homem mais rico de Vitória do Mearim e redondezas na época (final dos anos 60 até anos 80), com armazéns, fazendas, imóveis, muitos veículos e até um avião. Embora ricos e bem-sucedidos, eram pessoas que conviviam com o povo com muita humildade, simplicidade e sem ostentação - tanto que o Dr. Faray era frequentador das famosas "paneladas" e dos jogos de cartas e dominó que existiam na época. O coronel então era o mais educado de todos, muito tranquilo, risonho. Era professor de Educação Moral e Cívica nos anos 70 e muitos alunos se reuniam debaixo das amendoeiras, em frente à casa dos Faray, na Praça Rio Branco, um gesto raro naquela época. Eu era um desses alunos, pois morava ao lado da casa deles e sempre andava por lá. Por muitos anos ele foi diretor da Escola Normal Ana Bogéa Gonçalves. Naquele tempo, ele já distribuía apostilas aos alunos, e sabem como eram produzidas? Na máquina de escrever, com papel carbono! Uma das cenas que mais me chamava a atenção, quando eu era ainda criança, era quando o coronel saía, ao final da tarde, para visitar as namoradas, pois ele tinha duas: uma, que morava na Rua de Cima; outra, que morava quase em frente a onde hoje fica a Churrascaria Sabor da Terra, às margens da BR. A vezes ele ia a pé; outras vezes, sentado em uma cadeira de macarrão sobre um reboque de um trator “pula-pula”, sempre levando consigo um guarda-sol. O coronel Arlindo era mesmo um cavalheiro. Conversava muito comigo com aquele seu ar bonachão e risonho. Foi muito amigo de minha mãe, Miriam, que por muitos anos trabalhou na Escola Ana Bogéa Gonçalves.

Faleceu em 08 de junho de 1987, aos 72 anos de idade, deixando um legado de trabalho, força e honestidade, atributos admirados por todos que o conheceram.

 

Referências:

DIÁRIO DE SÃO LUIZ (MA), Edição 00450, 1946. Disponível em: <http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=093874&pagfis=6193&url=http://memoria.bn.br/docreader#>. Acesso em 05 mai 2018.

FARAY, Silvia. Depoimentos pessoais.

FOTO MEMÓRIA. Disponível em <https://pt-br.facebook.com/groups/700183156798947/permalink/1207312369419354/>. Acesso em 07 jan 2020.

JORNAL PEQUENO, 1957.

POLÍCIA MILITAR DO MARANHÃO – Apontamentos para a sua história. São Luís: SEGRAF, 2006, 224p.

POLÍCIA MILITAR DO MARANHÃO. Ex-Comandantes Gerais da PMMA. Disponível em <https://pm.ssp.ma.gov.br/ex-comandantes-gerais-da-pmma/>. Acesso em 05 mai 2018.