ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES - AMCLAM

PATRONO

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Cadeira nº 12

Nasceu na fazenda Aliança, no município de Cururupu, em 10 de abril de 1911, filho de Anastácio Dias Nazareth e Assunção de Farias Nazareth.

Em 25 de fevereiro de 1993, quando tinha 12 anos de idade, perdeu seu pai e também o sabor pelos brinquedos, trocando-os pelas responsabilidades de chefe de família. Começou a trabalhar com sua mãe, com auxílio do irmão Antônio Carlos a fim de vencer as dificuldades.

Por atritos familiares envolvendo sua avó foi mandado por sua mãe para uma oficina de ferreiro em Retiro de Santana, lugar muito distante, o que permitia voltar em casa apenas uma vez por mês. Devido à ausência da família, resolveu não voltar mais a oficina e falou da vontade de aprender música. Teve como professor José Alípio de Moraes Filho, na cidade de Cururupu, distante 21 km da Aliança.

Trabalhou com cavalos, entregador de leite, nesta última função conseguiu juntar 100 mil reis e comprou um pistom. Junto com alguns amigos organizou um pequeno conjunto e o dinheiro que ganhavam tocando aos domingos compravam novos instrumentos musicais.

Em 26 de março de 1935 ingressou como praça na Polícia Militar do Maranhão e como soldado associou-se no Sindicato de Trapicheiros e classes anexas. Aprendeu, também, oficina de marceneiro, estudou no Educato em regime de internato e trabalhou como ajudante de torneiro. Passou a aprendiz de músico.

O comandante da Polícia Militar na época era o Tenente Coronel Ulisses César Marques e o maestro da banda de música era Álvaro Malhão Costa a quem deve a prática de orquestra para banda.

Jersan Araújo pelo centenário da morte do maestro em 2011, assinalou: Na Banda Musical da Escola Técnica Federal do Maranhão - ETFM - flutuava ladeira acima, ladeira abaixo, ao som de Alegria, Alegria: um verdadeiro êxtase de música na avenida dos franceses naquele final de tarde de setembro de 1970. O bumbo de Diniz havia sutilmente cortado a execução da Banda Marcial, após a eternidade e o silêncio majestoso de poucos segundos, o rufado de semifusas sem igual do tarol de Cutrim, o surdo de Rudela, o prato de Dentinho e a Banda com garra e afinada despejava os primeiros acordes na avenida. Tudo obra daquele maestro, regente e professor que caminhava imponente ao nosso lado, o inesquecível João Carlos Nazareth. Nós o lembraremos sempre como compositor, arranjador, nosso professor e amante da boa música, sobretudo com muita veneração, alegria e, hoje, com saudades – nós que fomos alunos e portamos no espírito sua enorme influência na formação – tanto musical como de cidadãos. Celebremos, neste mês, o centenário de João Carlos Dias Nazareth. 

Continua Jersan, conheci o maestro João Carlos na ETFM, quase completando um ano de iniciação de estudos musicais – introdução e solfejo em música – por quase duas décadas, o mestre João Carlos transformaria aproximadamente mil meninos e meninas, entre os 12 a 15 anos, em músicos talentosos, muitos até mesmo em virtuoses em clarinete, trompete, saxofone soprano, tenor, alto, bombardino, trompa, clarone, contra-baixos, flautas, requinta, barítono, trombone, prato, tarol, surdo e bumbo. 

João Carlos era um oficial-maestro reformado como 1º Tenente da Polícia Militar Maranhense quando assumiu, a convite do vice-diretor Nilo Carvalho, a Banda da ETFM em agosto/1966. Além de música, recebíamos dele forte formação disciplinar. A Banda Musical, sob a sua regência, era uma unidade de elite da Escola Técnica. Eram três ensaios musicais semanais, mais ensaios voltados à performance de desfiles, cadência, disciplina de comandos e postura com os instrumentos de uma Banda de Música em moldes militares. Não à toa, sob a sua batuta, a Banda da ETFM ficou em 2º lugar no Concurso de Bandas das Escolas Técnicas Federais do Brasil em 1969, realizada na cidade do Rio de Janeiro. 

João Carlos compôs músicas muito belas: o alegre e erótico samba Etelvina, Minha Nega; o belíssimo Cajueiro Velho é obra-prima; a terna marcha solene Assunção, composição em homenagem à sua mãe Assunção Farias Nazareth; o dobrado Dr. Newton Bello e o singelo Recordando; o Hino à Bandeira Maranhense com letra do poeta Ribamar Pereira e não esqueçamos O Hino da Polícia Militar do Maranhão. Toadas, sambas-enredo e dezenas de bonitos arranjos para Banda & Orquestra da ETFM. Destaco Alegria, Alegria do Caetano Veloso, País Tropical e Que Maravilha, do Jorge Bem/Toquinho, as marchas nacionalistas de Miguel Gustavo. Está escrito nas Memórias de mestre João Carlos “ao Mestre Álvaro Malhão Costa, regente da Banda da Polícia Militar devo a prática de escrever orquestração para Banda. Bom mestre o “Neném Costa de Codó”. 

O mestre João Carlos casou com Dona Felipa, e dizia “cabocla braba” a conheci em 1938 em São Vicente Ferrer e como uma declaração perene de amor e respeito à esposa escreve “Se me mandarem casar de novo eu caso com Dona Felipa”. Desta união nasceram 11 filhos: Ubiratan, Wilson, José Ribamar, Alcione, Ivone, João Carlos Filho, Jofre, Maria Helena, Solange, além de Sônia e Ubirajara que morreram ainda pequenos. Músicos talentosos seus filhos e, uma primeira dama da MPB: a cantora Alcione Nazareth. 

Para educar tantos filhos, ele destacava o trabalho incansável de Dona Felipa e a criação da sua Orquestra JAZZ GUARANY que tocou por 20 anos e cita “os grandes bailes do Anil de Pedro Veiga e do Lítero dos quais, muitas vezes retornava a pé.” “Criei todos vocês com o bico” enfatizava bem conciso aos filhos. 

O mestre tinha belas frases: “Aqui nesta banda ninguém é imprescindível” para quem chegava atrasado aos ensaios. “Tudo é belo, perfeito quando a Banda está completa. É como o cais da Sagração na maré cheia” e olhava para os aprendizes. Nós os aprendizes, sabíamos: “Nós éramos a maré vazante”. 

Seu comportamento na Polícia Militar ao se reformar era excepcional.

Faleceu em 17 de setembro de 1986.

 

Referência:

ARAÚJO, Jersan. Mestre João Carlos Dias Nazareth: 100 anos, “Sua benção, Mestre”. Disponível em<https://jersanaraujo.blogspot.com.br/2013/05/mestre-joao-carlos-dias-nazareth-100.html>. Acesso em 31 mai 2018.

IFMA. IFMA celebra centenário de nascimento do maestro João Carlos Nazareth Disponível em<https://portal.ifma.edu.br/2011/04/12/ifma-celebra-centenario-de-nascimento-do-maestro-joao-carlos-nazareth/>. Acesso em 31 mai 2018.

PMMA, Diretoria de Pessoal, assentamentos.

SECOM PMMA. Banda de Música da PMMA é considerada Patrimônio Cultural Imaterial do Maranhão. Disponível em<https://pm.ssp.ma.gov.br/banda-de-musica-da-pmma-e-considerada-patrimonio-cultural-imaterial-do-maranhao/>. Acesso em 21 dez 2018