ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES - AMCLAM

PATRONO

JOSUÉ_DE_SOUSA_MONTELLO.jpg
c4bfee986a91dad82c10e9ad44dd95d7.png
Cadeira nº 11

Josué de Sousa Montello nasceu em São Luís do Maranhão, MA, em 21 de agosto de 1917 e era filho de Antônio Bernardo Montello e Mância de Sousa Montello.

Foi um jornalistaprofessorteatrólogo e escritor brasileiro.

Iniciou seus estudos em São Luís do Maranhão, publicando os seus primeiros trabalhos literários em A Mocidade, periódico do Liceu Maranhense, onde cursou o ginásio.

Em 1932 passa a integrar a Sociedade Literária Cenáculo Graça Aranha, na qual se congregaram os escritores do Maranhão de filiação modernista. Até 1936, colabora nos principais jornais maranhenses. Muda-se, a seguir, para Belém do Pará, onde é eleito, aos 18 anos, membro efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Pará.

No fim de 1936 transferiu-se para o Rio de Janeiro, passando a fazer parte do grupo que funda o semanário de literatura Dom Casmurro. No mesmo período, colabora em outras publicações, como Careta, O Malho e Ilustração Brasileira, além de jornais diários.

Publica o primeiro romance, Janelas fechadas, em 1941. Seis anos mais tarde é nomeado diretor-geral da Biblioteca Nacional, exercendo também a direção do Serviço Nacional do Teatro.

Em 1953, a convite do Itamaraty, inaugurou e regeu por dois anos a cátedra de Estudos Brasileiros da Universidade Nacional Mayor de San Marcos, em Lima, no Peru. A partir de 1954, tornou-se colaborador permanente do Jornal do Brasil, no qual manteve uma coluna semanal até 1990.

Novamente convidado pelo Itamaraty, regeu, em 1957, a cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade de Lisboa, e, em 1958, na Universidade de Madri.

Entre suas obras destacam-se Os tambores de São Luís, de 1965, a trilogia composta pelas novelas Duas vezes perdida, de 1966, e Glorinha, de 1977, e pelo romance Perto da meia-noite, de 1985.

Entre 1969 e 1970, ocupou o cargo de conselheiro cultural da Embaixada do Brasil em Paris, e de 1985 a 1989 foi embaixador do Brasil junto à Unesco.

Em sua homenagem, em 1997, o governo do Maranhão inaugurou a primeira biblioteca do Farol da Educação com a denominação de Biblioteca Farol da Educação Josué Montello.

Foi membro de incontáveis academias e instituições culturais no Brasil e no Exterior.

Escreveu para a revista Manchete e o Jornal do Brasil, além de trabalhar no governo do presidente Juscelino Kubitschek.

Na Academia Brasileira de Letras foi o quarto ocupante da cadeira 29, eleito em 4 de novembro de 1954, na sucessão de Cláudio de Sousa, sendo recebido por Viriato Correia em 4 de junho de 1955. Recebeu os acadêmicos Cândido Mota Filho, José Sarney, José Guilherme Merquior, Evaristo de Morais Filho, Roberto Marinho e Evandro Lins e Silva. Na posse de João de Scatimburgo, leu o discurso de recepção de Miguel Reale, que não pôde comparecer e presidiu-a de janeiro de 1994 a dezembro de 1995.

Faleceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 2006, vítima de insuficiência cardíaca. Encontrava-se internado na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, há mais de um ano, para tratamento de problemas respiratórios. O corpo foi velado na Academia Brasileira de Letras e sepultado no fim da tarde no Cemitério São João Batista.

Obras

 

A obra construída por Montello é assombrosa, pois abrange uma significativa variedade de meios de expressão - do romance ao teatro, do artigo jornalístico ao ensaio histórico.

Sua prosa é elegante e fluída, passando ao leitor aquela enganadora sensação de ter sido escrita de forma ligeira, fácil, sem esforço aparente.

Sua sólida formação intelectual se faz sentir em todos os ensaios e artigos, sempre permeados por análises precisas, argutas e diretas, ao passo que nos romances e peças teatrais a fina sensibilidade do artista impõe uma intensa abordagem psicológica das tramas e dos personagens.

Disse o crítico Wilson Martins: "Josué Montello é, hoje, sem dúvida, o decano do romance brasileiro. Escreve romances clássicos, na linha de Machado e de Eça, e não está preocupado em ser original. Ele mesmo admite, sem nenhum problema, que ignora as inovações estéticas dos últimos 50 anos.

Escreveu romances extraordinários, em particular Os Tambores de São Luís", e ainda "Tudo isso nos induz a ler Os tambores de São Luís como romance psicológico, partindo do particular para o geral, caso em que a narrativa se desenvolve em espiral, tendo no negro Damião o centro dinâmico de convergência e irradiação. Josué Montello pertence à família espiritual de Balzac e Dostoievski; de Joyce e Thomas Mann; de Tolstoi e Faulkner; de George Eliot e Giovanni Verga; de Cervantes e John Dos Passos; de Conrad e Flaubert; de Eça de Queiroz e Machado de Assis – todos semelhantes nas suas diferenças e diferentes nas suas semelhanças, exatamente como nas famílias naturais."

As Obras de Josué Montello foram traduzidas para o inglês, francês, espanhol, alemão e sueco.

Algumas de suas novelas foram roteirizadas para o cinema; em 1976, Uma tarde, outra tarde recebeu o título de O amor aos 40; e, em 1978, O monstro, foi filmado como O monstro de Santa Teresa.

Assinatura:

 

 

 

Referências:

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Disponível em <http://www.academia.org.br/academicos/josue-montello/biografia>. Acesso em 31 mai 2018.

WIKIPEDIA. Josué de Sousa Montello. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Josu%C3%A9_Montello>. Acesso em 31 mai 2018.

assinatura.jpg