ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES - AMCLAM

PATRONO

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Cadeira nº 16

Português, natural de Setúbal, e que adotou o heterônimo FRANCISCO PAXECO, oficialmente reconhecido na repartição consular de Portugal em São Luís, nasceu a 9 de março de 1874, e faleceu em Lisboa, a 17 de setembro de 1952, aos 78 anos de idade. Precocemente vocacionado para as letras, aos 14 anos de idade fundou o jornal Gazeta Setubalense, e ano depois passou a colaborar assiduamente em diversos órgãos da imprensa portuguesa. Republicano ardoroso, por seu engajamento político, viu-se compelido a emigrar de seu país, escolhendo vir para o Brasil.

 

Aportou primeiramente no Rio de Janeiro, e a seguir viajou para o Norte: esteve em Belém, depois em Manaus, havendo atuado culturalmente nessas duas cidades, com intensa colaboração na imprensa.

 

Chegado a São Luís no último ano do século XIX – a 2 de maio de 1900 – Fran Paxeco, sem prejuízo de suas atividades práticas, logo passou a desempenhar importante e decisivo papel na vida cultural em nossa cidade, que então tomava corpo, como reação auspiciosa à apatia que, durante anos seguidos, mantivera, entre pesadas nuvens de desânimo e frustração, o glorioso sol de Atenas, que sobre nós refulgira, graças a uma constelação de talentos realmente privilegiados.

 

A juventude maranhense, ainda vivamente impulsionada pela força arrebatadora do verbo de Coelho Neto, que aqui falara às multidões como um profeta anunciador da ressurreição que era imperativo promover, teve, no entusiasmo inquebrantável de Fran Paxeco, uma das colunas-mestras – a outra foi Antônio Lobo – da grande obra que se iniciava.

 

Jovem, Fran Paxeco aliava ao vigor dos seus 26 anos de idade, um tirocínio, uma visão de mundo e uma cultura que se revelaram imprescindíveis à movimentação da vida são-luisense, sob os mais diversos aspectos.

 

Em todas as iniciativas relevantes tomou parte e de muitas foi o impulsionador: fundação da Oficina dos Novos, da Academia Maranhense de Letras, da Legião dos Atenienses e de numerosas outras instituições culturais; palestras literárias, cortejos e homenagens cívico-culturais, instituição da Universidade Popular, do Curso de Direito, revigoramento e reorganização da Associação Comercial do Maranhão, luta por modernos meios de transporte, pelo incentivo à agropecuária, pela criação de um parque industrial, pela melhoria dos serviços de saúde, pela urbanização da cidade. E tudo isso de par com atividades no magistério público e particular, com diuturna atuação na imprensa, com viagens e trabalhos na Amazônia, com a publicação de livros, com idas ao Rio de Janeiro e a Portugal.

 

Na imprensa maranhense deixou uma colaboração tão diversificada e ao mesmo tempo copiosa, que ainda hoje aguarda e reclama a seleção temática da qual resultarão seguidos volumes de interesse para o estudo da vida maranhense. Tais volumes viriam somar-se às obras maranhenses desse autor de vasta bibliografia que compreende assuntos tão variados quanto foram os campos de interesse de seus estudos.

 

 

A Biblioteca do Grémio Literário Português em Belém do Pará e a Praça do Comércio em São Luís do Maranhão têm o seu nome. O seu nome encontra-se presente nas toponímias do Cruzeiro do Sul - Acre, Setúbal, São Luís do Maranhão e São Paulo.

 

 

Rua Fran Paxeco, em Setúbal, Portugal

Associações científicas de que foi membro

 

Algumas obras

  • O Uruguai, prefácio a este poema de Basílio da Gama. Rio de Janeiro, Livraria Clássica de Alves & Comp, 1895.

  • O Guarani, proêmio ao libreto da ópera de Carlos Gomes. Belém-Pará, 1896.

  • O Centenário Indiano, manifesto das associações portuguesas do Pará. Belém-Pará, 1897.

  • O Sangue Latino. Lisboa, 1897.

  • O Album Amazônico. Genova, 1898.

  • Os escritores portuguezes: Teófilo Braga. Manaus, Tipografia do Diário de Noticias, 1899.

  • Jubileu de João de Deus - folheto. Manaus, 1899.

  • Os Escândalos do Amazonas. Manaus, 1900.

  • A Questão do Acre, manifesto dos chefes acreanos. Belém-Pará, 1900.

  • O Sr. Sílvio Romero e a literatura portugueza. São Luís do Maranhão, A. P. Ramos d'Almeida, 1900.

  • Mensagem do Centro Caixeiral do Dr. Teófilo Braga. São Luís, 1900.

  • Juiz sem Juizo, comédia de A. Bisson, versão com Antônio Lôbo.

  • O Porvir Brasileiro (série de longos artigos em vários números d'A Revista do Norte). São Luís, 1901.

  • Maranhão e os Seus Recursos. São Luís do Maranhão, 1902.

  • A Literatura da língua portuguesa. São Luís do Maranhão, A Revista do Norte, 1902-1903.

  • O Sonho de Tiradentes, peça num ato. São Luís do Maranhão, 1903.

  • O Comércio maranhense, relatório da Associação Comercial do Maranhão. São Luís do Maranhão, 1903.

  • Os interesses maranhenses. São Luís do Maranhão, A Revista do Norte, 1904, XXVIII.

  • O Departamento do Juruá. Cruzeiro do Sul, 1906.

  • literatura portugueza na Idade Média: conferência. São Luís do Maranhão, Universidade Popular do Maranhão, 1909.

  • O Processo de Camila (La rencontre), tradução da comédia de Pierre Berton, 1910.

  • Maranhão: subsídios históricos e corográficos. São Luís do Maranhão, 1912.

  • Portugal e a Renascença. São Luís do Maranhão, 1912.

  • Os Braganças e a restauração. São Luís do Maranhão, Tipografia da Pacotilha, 1912.

  • O Maranhão. São Luís do Maranhão, 1913.

  • As normas ortográficas, na Revista da Academia Maranhense. São Luís do Maranhão, 1913.

  • A Língua portuguesa, por Filipe Franco de Sá, organização e posfácio. São Luís do Maranhão, 1915.

  • Angola e os alemães. Maranhão, 1916.

  • O trabalho maranhense. São Luís do Maranhão, Imprensa Oficial, 1916.

  • A escola de Coimbra e a dissolução do romantismo. Lisboa, Ventura Abrantes, 1917.

  • A visão dos tempos. Coimbra, 1917.

  • Teófilo no Brasil. Lisboa, Ventura Abrantes, 1917.

  • Visão dos tempos - epopeia da humanidade: conferência realizada em 21 de Fevereiro de 1917. Lisboa, Academia das Ciências de Portugal, 1917. Separata dos Trabalhos da Academia das Ciências de Portugal

  • A cortiça em Portugal (resumo de informações do ministério dos estrangeiros). Lisboa, 1917.

  • As normas ortográficas, in Revista da Academia Maranhense. São Luís do Maranhão, 1918.

  • João Lisboa: livro comemorativo da inauguração da sua estátua contendo estudos críticos de vários autores (org. da Academia Maranhense). São Luís de Maranhão, Imprensa Oficial, 1918.

  • Portugal e o equilíbrio europeu, conferência, na Pacotilha. São Luís do Maranhão, 1918 (I-XII).

  • Portugal e o Maranhão (As suas relações comerciais). São Luís do Maranhão, 1919.

  • O Pará e a colónia portuguesa, folheto. Belém do Pará, 1920.

  • Geografia do Maranhão. São Luís do Maranhão, 1923.

  • Trabalhos do congresso pedagógico do Maranhão. São Luís do Maranhão, 1923.

  • Cartas de Teófilo Braga (com um definitivo trecho autobiográfico do mestre e duas "confissões" de Camilo) (prefácio e compilação). Lisboa, Tip. da Emp. Diário de Noticias, 1924.

  • O Portugal primitivo, folheto. Belém do Pará, Tip. Grafarina, 1925.

  • Sobre Teófilo Braga, genealogia, folheto. Belém do Pará, 1925.

  • O século português (1415-1520), conferência longa, proferida na capital do Pará e publicada no País, do Rio de Janeiro. 1926.

  • Setúbal e as suas celebridades. Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1930/1931.

  • Portugal não é ibérico (antelóquio de Teófilo Braga). Lisboa, Tipografia Tôrres, 1932.

  • O poema do Amadis de Gaula, conferência lida em 10-11-1932, na Universidade de Cardiff. Coimbra, Coimbra Editora, 1934 (separata da Biblos).

  • The intellectual relations between Portugal and Great Britain. Lisboa, Império, 1937.

 

Para além da tradução de diversas comédias e dramas, Fran Paxeco escreveu numerosos artigos em jornais e revistas, proferiu conferências e elaborou extensos relatórios consulares.

 

Deixou oito livros concluídos, inéditos, sobre vários assuntos. Deixou igualmente no prelo Setúbal e a Província do Sado (desaparecido).

 

Referências:

  • AA VV. Fran Paxeco: homenagens que lhe prestaram, a 9 de Março de 1922, os seus amigos e admiradores. S. Luiz do Maranhão, Imprensa Oficial, 1922.

  • Academia Maranhense de Letras. Fran Paxeco.

  • ALDEIA, João. «Fran Paxeco» in Setúbal na Rede de 12 de setembro de 2006.

  • BERNARDO, António e PINTO, José dos Santos. Dicionário de Autores Casapianos . Lisboa, Biblioteca-Museu Luz Soriano,1982. s.v. «Fran Paxeco», pg. 102.

  • BRITO, Eugênio Leitão de. Fran Paxeco no Brasil. Belém-Pará: Grêmio Literário e Recreativo Português, 1994.

  • Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, s. v. «Fran Paxeco». vol. 20, pgs. 797-798.

  • Lello Universal: Dicionário Enciclopédico Luso-Brasileiro. Porto: Lello & Irmão, 1980, 2 vols., s.v. «Fran Paxeco», II vol. pg. 487.

  • LUZ, Joaquim Vieira da. Fran Paxeco e as Figuras Maranhenses. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1957.

  • LUZ, Joaquim Vieira da. Fran Paxeco e sua influência no Maranhão. Rio de Janeiro, 1953.

  • LUZ, Joaquim Vieira da e ALMEIDA, Ruben Ribeiro. Fran Paxeco. São Luís, 1949.

  • MARTINS, Manoel de Jesus Barros Martins. Rachaduras Solarescas e Epigonismos Provincianos: Sociedade e Cultura no Maranhão Neo-Ateniense: 1890-1930. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002

  • PORBASE, base nacional de dados bibliográficos.

  • Dicionário de Ruas de São Paulo.

  • Trabalhos do Congresso Pedagógico. São Luís do Maranhão: Imprensa Oficial, 1920.