ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES -AMCLAM

PATRONO

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Cadeira nº 03

Nascido no dia 29 de março de 1946, natural de São José de Ribamar - MA, filho de Pedro Alcântara da Silva e Maria Vitória Salles Silva.

Fez o curso primário na Escola Humberto de Campos em São José de Ribamar e o secundário na Escola Técnica Federal (São Luís – MA).

Contraiu núpcias em São José de Ribamar com a Sra. Mirian de Jesus Silva, gerando os filhos Sílvio André Salles Silva e Viviane de Jesus Salles Silva.

Falecendo em São Luís, no dia 02 de dezembro de 2003.

 

Vida Profissional na Polícia Militar do Maranhão (PMMA)

 

Incorporou na PMMA no dia 24 de fevereiro de 1967

Ao ser aprovado no concurso para ingresso no Quadro de Oficiais da Polícia Militar do Maranhão, conclui com êxito o Curso de Formação de Oficiais na Polícia Militar de Minas Gerais.

Promoções

Foi declarado Aspirante-a-Oficial no dia 11 de dezembro de 1970.

Promovido ao Posto de 2º Tenente PM em 26 de agosto de 1971 (Antiguidade);

1º Tenente PM em 22 de novembro de 1973 (Antiguidade);

Capitão PM em 22 de novembro de 1975 (Merecimento);

Major PM em 21 de agosto de 1980 (Merecimento);

Tenente Coronel PM em 25 de dezembro de 1985 (Merecimento);

Coronel PM (Merecimento).

 

Cursos

- Curso de Educação Física, no ano de 1974, na Escola de Educação Física do Exército Brasileiro na cidade da Guanabara no Estado do Rio de Janeiro;

- Curso de Administração, Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM, concluindo no ano de 1976;

- Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, na Polícia Militar do Ceará, em 1979;

- Curso de Comunicação Social, CEP no Rio de Janeiro, em 1983.

Desempenhou com dedicação e entusiasmos, várias funções administrativas na Corporação dentre elas a de Instrutor de Educação Física, sendo designado a proceder os testes físicos aos candidatos pretensos a uma vaga no Curso de Formação de Oficiais e nos Cursos de Formação de Sargentos.

Desempenhou as funções de Subcomandante e Chefe do Estado Maior Geral.

Em depoimento pessoal de um de seus maiores amigos, Cel Manoel de Jesus Moreira Bastos, assim se manifestou:

Começo dizendo que na manhã de janeiro de 1967 na Rua Herculano Parga, em frente ao Quartel de Polícia Militar, estava cheia de candidatos ao Curso de Formação de Oficiais. Entre eles eu, um interiorano de Alto Parnaíba e proveniente de Balsas, apreensivo com tanta gente e por saber que a Polícia Militar ofertava só dez vagas. Foram três dias de provas. A cada dia, antes do início da etapa seguinte, uma aflição durante o anúncio dos nomes, que eram mandados passar para à direita, indicando aqueles que prosseguiam no concurso. No dia marcado para a informar os nomes dos dez aprovados o ambiente era envolto de muito nervosismo, só transformado em euforia ao ter meu nome incluído entre os aprovados. Foi ai que percebi ser um mero desconhecido entre os dez. Em seguida, o oficial que acabara de divulgar os nomes dos aprovados infirmava o hora e data para a viagem com destino ao Departamento de Instrução, local de formação dos oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais.

No dia 28 de fevereiro de 1967, os aprovados viajaram para Belo Horizonte. No dia seguinte eles foram apresentados na Companhia de Alunos (Cadetes). O comandante da Cia Alunos, após a apresentação, informou que avisaria, através do xerife da turma, o dia da primeira formatura com a presença de todos os cadetes.

Com a chegada àquela cidade, no dia a dia começou o processo de interação e amizade com os demais colegas do Maranhão, uns oriundos do mundo civil e outros da própria Polícia Militar do Maranhão.

Citaremos, agora, alguns fatos pitorescos ocorridos com o Cel. Salles:

  1. No dia da primeira formatura, após a chamada dos alunos foram adotados os seguintes procedimentos: separar os alunos em três turmas (Turma A, Turma B e Turma C) e, em seguida, os pelotões foram entregues aos cadetes do 4º ano para fazerem a recepção dos novatos – Trote. O Cadete Salles, da Turma C, chamou atenção pela forma de sua vestimenta, ele usava calça jeans, camisa mangas compridas e gravata borboleta. Os alunos do 4º ano, que comandavam a Turma C, logo o identificaram como sendo o gravatinha. E durante o trote era gravatinha para aqui e gravatinha para acolá. Pronto, o apelido ficou durante todo o curso. É oportuno informar que este apelido foi aceito, por ele, com normalidade, o que contribuiu para que ficasse restrito aos colegas de Minas Gerais e sobretudo, aos alunos do 4º ano, encarregados do trote;

 

  1. Um dia, no final de tarde, chegando na república onde alguns de nós morávamos, aconteceu um episódio hilariante. Eu trazendo de Balsas o hábito de chamar as pessoas de chico ou meu preto, naquele dia, conversando com o Salles eu o chamei de meu preto. Pronto, o tempo fechou e de “céu de brigadeiro”, logo se transformou em um céu cinzento. Quando percebi aquela situação, logo comecei a me desculpar e a justificar aquele meu comportamento. A amizade ficou um pouco estremecida entre nós, mas não demorou muito e reatamos as nossas amizades, ficando para mim uma lição, tratar as pessoas pelos seus próprios nomes.

A citação destes dois episódios tem como único objetivo demonstrar a personalidade de Marinaldo Salles Silva, que nas pequenas ou grandes adversidades apresentadas sabia, com maestria, superá-las e não deixava, mesmo de forma indelével, que marcas exteriorizassem algum tipo de recalque ou mágoa. Em cada episódio vivenciado, no seu cotidiano, não só o superava, como saia bem maior.

No final do curso retornamos a São Luís, agora, como Aspirantes a Oficial. Eu não tinha ninguém da minha família em São Luís e o Aspirante Salles foi o que mais me acolheu. Era comum receber convites para nos domingos almoçar, com sua família, em São José de Ribamar. No primeiro dia fui apresentado para sua mãe e irmãs, logo percebi, pela forma carinhosa de ter sido acolhido que estava em um ambiente como se fosse o da minha própria família. Em um destes domingos fui apresentado para a Mirian, sua namorada, com quem veio a se casar depois para formar uma família modelar e admirada por todos nós.

Ao viajar para o Rio de Janeiro para fazer o Curso de Educação Física do Exército o Ten. Salles ficou como meu procurador. Uma demonstração do quanto era intensa a nossa amizade.

O cadete e o oficial Salles foi sempre uma pessoa com bastante senso de responsabilidade, equilíbrio e companheirismo.  

O Cel. Salles deixou o seu nome registrado nas páginas da história da briosa Policia Militar, vindo a se incorporar, assim, a muitos outros que pontilharam com ética, dignidade, honradez, cordialidade, sensatez, disciplina e companheirismo dentro da Polícia Militar do Maranhão. Ele foi um verdadeiro representante da vida castrense pelo seu comportamento sóbrio, inflexível do ponto de vista da observância das leis e dos regulamentos, acessível e defensor dos subordinados cumpridores dos seus deveres e, no meio civil, era um verdadeiro gentleman.

 

Referências:

 

BASTOS, Manoel de Jesus Moreira. Depoimento Pessoal em 08/07/2019.

PMMA, Almanaque dos Oficiais, SIOGE, São Luís, 1986.