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  • Foto do escritor Carlos Alberto da Silva Santos Braga

AQUILO QUE TRANSCENDE À RAZÃO

Ao passear pelas ruas da minha Bom Despacho, num místico caminho de memórias infinitas, exercito a análise estoica da minha vida, em que a única coisa que dominamos é a nossa própria mente, preferindo a razão ao prazer. Busco sempre a verdade necessária, não o que eu penso ser, mas o produto de todas as hipóteses plausíveis. Como ser humano e pensando na humanidade, devo acreditar na felicidade, pois só ela é eterna. E, num momento de pura descontração, vejo-me próximo à residência familiar de duas pessoas, que guardam ligação direta com o homem que me tornei.


Um deles foi o meu primeiro Comandante de Companhia, por ocasião do meu ingresso na Polícia Militar de Minas Gerais, que ocorreu no dia 15 de junho de 1982, para frequentar o Curso de Formação de Soldados, no Batalhão de Choque, em Belo Horizonte. O seu posto e nome: 1º Tenente PM Mauro Lúcio Gontijo, hoje como Veterano da Polícia Militar, no Posto de Coronel, tendo exercido a função de Comandante-Geral da PMMG nos anos de 1999 e 2000. Ele não é um ex-Comandante-Geral, ele é o Comandante-Geral da PMMG naquele período, sim, a conjugação do verbo é no presente, pois o fato de o tempo não mais existir não o retira da função, os registros continuam a surtir os efeitos administrativos e jurídicos na vida e na memória da Corporação.


O outro, apesar de todos nós sermos conterrâneos, e, no imaginário popular, entender-se que todos se conhecem em Bom Despacho, isso não é verdade, realmente a cidade é pequena, pouco mais de 50.000 habitantes, no entanto a quantidade de nativos não residentes em Bom Despacho é algo imensurável. Certo dia, ao me comunicar com uma pessoa da Junta da Freguesia de Belém, na cidade de Lisboa, em Portugal, tive conhecimento de que a minha interlocutora tinha relação direta com a minha Bom Despacho.


Pois bem, voltando a esse outro, tratava-se de um aluno do Curso de Formação de Oficiais, do último ano, que foi declarado Aspirante-a-oficial no mês de outubro de 1983. Eu o conheci no dia 31 de janeiro daquele ano, quando cruzei os umbrais do Portão das Armas da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais para frequentar o Curso de Formação de Oficiais – Período Básico. Era o primeiro dia do curso que seria concluído em 10 de outubro de 1987. Seu nome: Odilon de Souza Couto, hoje como Veterano da Polícia Militar, no Posto de Coronel, tendo exercido a função de Comandante da Academia de Polícia Militar nos anos de 2004 a 2009.


Àquela época, não se usava a graduação de Cadete para os Praças Especiais que frequentavam a Academia de Polícia Militar, o seu uso só se deu a partir do ano de 1985, por ocasião das medidas implementadas pelo Coronel Klinger Sobreira de Almeida, Comandante daquela Instituição de Educação Superior.


Por ocasião do meu primeiro ano no Curso de Formação de Oficiais e o Coronel Veterano Odilon de Souza Couto no seu último ano de Curso, no ano de 1983, quando comandava a APM o saudoso Coronel José Braga Júnior — Comandante-Geral da PMMG nos anos de 1987 e 1988 — algo singular aconteceu no mês de junho daquele ano, quando o Chefe da Divisão de Ensino daquela Casa, o hoje Coronel Veterano Euro Magalhães — Comandante-Geral da PMMG nos anos de 1991 e 1992 — anunciou a equiparação do Curso de Formação de Oficiais aos cursos de graduação do sistema civil de ensino.


Curiosamente ou por força do destino, aquele ato normativo federal, que elevava o Curso de Formação de Oficiais ao patamar de ensino superior, foi assinado em data de 10 de junho de 1983, dia em que se comemora a data alusiva a Portugal, a Camões, às Comunidades Portuguesas e ao Anjo Custódio de Portugal. 10 de junho é, pois, uma data de institucionalização do ensino superior na Polícia Militar de Minas Gerais e eleva a Academia de Polícia Militar à categoria de Instituição de Educação Superior.


Trabalhamos juntos quando o Coronel Veterano Odilon de Souza Couto, no posto de Major, era Chefe da Divisão de Ensino da APM, e eu, no posto de Capitão, naquela Casa do Saber, era o responsável pelas publicações da PMMG. Durante o meu Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, no ano de 1995, o então Major Odilon foi o meu orientador, por ocasião de um estudo que descrevia os Cursos de Pós-Graduações da PMMG — Curso Superior de Polícia e Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais — e as condicionantes não cumpridas, de acordo com a legislação federal de ensino, que inviabilizavam a sua existência como Cursos de Pós-Graduações Lato Sensu.


Comentava com os Senhores Coronéis Veteranos da PMMG — Mauro Lúcio Gontijo e Odilon de Souza Couto — sobre a transcendentalidade que emana no conjunto dos propósitos que se inserem na totalidade daquelas mentes que exercem as suas funções na Academia de Polícia Militar. Nada, ou tudo que se faça, não se faz, ou, se deixar de fazer, no cumprimento e no alcance de um bem comum, que se caracteriza por formar da melhor forma possível e ser formado na melhor forma possível.


Tanto nos corpos administrativo, docente e discente e o conjunto daqueles que elaboram as diretrizes e ações de comando, não se verifica cisão, não há solução de continuidade, não há vantagem indevida, não há interesse em perder quem quer que seja. Um discente que fica pelo caminho é como a perda de um ente próximo, todos os esforços são conduzidos para que todos vençam. A meritocracia decorrente da busca pelo primeiro lugar é uma condição de fazer crescer a qualidade do produto que se entrega à Instituição e à Sociedade, seja no curso inicial da Corporação, seja no seu curso mais elevado, e não um instrumento de desprezo, torpeza ou desonra.


Transpor aqueles umbrais, seja para o aluno, para o professor, para o Comandante e o seu corpo administrativo, é assimilar uma convicção apenas, que se manifesta em deixar do lado de fora do Porta Neocolonial do Prado Mineiro — o Portão das Armas da Academia de Polícia Militar o cidadão e fazer nascer o homem-Estado, aquele cuja vida se qualifica a serviço do Estado de Tranquilidade Pública e que será parte indissociável do Estado, cujo título só se exautora por ato de um Tribunal.


Todos nós, encantados com o significado da Academia de Polícia Militar, firmamos a convicção que transcende a razão. O Significado de se buscar o melhor, a cada momento, fez e continua a fazer parte da nossa jornada.


Por ocasião da adequação dos cursos da Polícia Militar de Minas Gerais à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Senhor Coronel Veterano Mauro Lúcio Gontijo, à época, Comandante-Geral da PMMG, face aos trabalhos produzidos por uma Comissão constituída no ano de 1997, em constante contato com o hoje Coronel Veterano Marcos Antônio Santos, também nativo de Bom Despacho, prosseguindo no avanço do seu antecessor, trabalhou e permitiu que se implementassem avanços significativos na área da Educação Profissional e Superior, bem como nos sistemas de promoções e acessos aos cursos da Corporação.


De igual importância, o Senhor Coronel Veterano Odilon de Souza Couto buscou o melhor para a nossa Academia de Polícia Militar e teve o apoio de outro orientando seu, do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais do ano de 1995, e comigo e Solimar Rodrigues Pereira, elaboramos o Estudo já citado, que teve na banca avaliadora o Professor-Doutor Vice-Reitor da Universidade do Estado de Minas Gerais; o Doutor Honoris Causa responsável pelos concursos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais; o Chefe da Primeira Seção do Estado Maior da PMMG e, hoje, Juiz-Auditor da Justiça Militar de Minas Gerais; e um Professor-Doutor da Fundação João Pinheiro. Trata-se do hoje Coronel Veterano Eduardo de Oliveira Chiari Campolina, que mais tarde seria Comandante da Academia de Polícia Militar.


Sim, tudo quanto buscamos construir como homens pauta-se no avanço da humanidade, no exercício da gratidão, no reconhecimento aos nossos e na certeza de que fizemos as escolhas mais acertadas.


Com esse espírito, aproximamo-nos de todos aqueles que nos precederam, nas comemorações dos 90 anos da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, que se comemora no dia 3 de março vindouro e agradeço à Polícia Militar de Minas Gerais pelo significado dela em minha vida.


Com todo o respeito aos Oficiais aqui citados e com a permissão de todos, só me resta dizer:

“Obrigado e parabéns aos Comandantes da Academia de Polícia Militar pelo ambiente que se constrói, reconstrói e se mantém fiel à sua essência.”

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