DO PADRÃO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL AO PROFISSIONAL QUE FORMA O PADRÃO: Uma leitura das ideias dos Coronéis da PMMG Klinger Sobreira de Almeida e Genedempsey Bicalho Cruz.
- Carlos Alberto da Silva Santos Braga

- 15 de mar.
- 13 min de leitura
Existem pessoas na nossa vida que são particularmente diferenciadas, nós ou elas, não sabemos por que isso ocorre e, nem tampouco, porque somos nós quem vivenciamos essa realidade.
Poderia nominar muitas dessas pessoas, não o farei, é tarefa ineficaz, injusta e com certeza, omitirei – não por opção – muitos nomes. Pessoas importantes, de um tempo singular, de um momento único e que contribuíram, mesmo sem saber – se é que algum dia saibamos – para chegarmos aonde estamos.
Isso mesmo – nós, eu e a pessoa – nem um ou outro jamais pensou sobre a hipótese de tudo que se, somente se, ou ainda, na hipótese de se, ser verdade outras variáveis que nos unem em pensamento, ações, camaradagem, compromisso e pertença ao conjunto das ideias que nos elevam ao estado de consciência que se expressa em gratidão.
A vida pode ser entendida como uma constante busca de respostas, nem sempre necessárias, mas que fazem crescer a capacidade de compreender o mundo, as pessoas, as dores, as frustações e as ansiedades que nos elevam ao bem-comum.
Acredito, que a partir do momento que comecei a pensar, nunca mudei. Fisicamente transformei-me de um menino que aprende as primeiras letras, forma as primeiras palavras – com base nos sinais e símbolos – pois, já as formava sem saber a grafia, processo de transformação da oralidade para a escrita.
Desde então, penso por mim, erro por mim, acerto por mim; no entanto, amparado pelas pessoas que factual ou eventualmente, eu sinta como pertença. Num primeiro momento a família, depois os amigos, em seguida os pares na profissão e com o avançar da idade, os nossos filhos – pessoas nas quais colocamos todas as nossas esperanças, mas, que igualmente a nós, são seres em construção em pensamento, literacia, compromisso com a humanidade e buscadores de respostas.
Como seres em construção em pensamento, literacia, compromisso com a humanidade e buscadores de respostas, todos
estamos sujeitos ao erro. Com o avançar da idade, tornamo-nos mais experientes, temos mais informações para analisar, face à situação apresentada e também por consequência, mais capacidade de acerto. Fruto da vivência e da plena convicção de que não há resultados diferentes para as mesmas situações apresentadas e as mesmas interveniências alocadas, tudo são manifestações do mesmo, em épocas diferentes, com pessoas diferentes, portanto, não há conclusões diversas.
O meu propósito, com base numa série de textos isolados e nem sempre correlatos, é o de apresentar situações que contribuíram, ou mesmo, continuam a contribuir com a minha formação como homem, pessoa e profissional.
Como homem, a minha formação deriva dos valores que norteiam a vida em sociedade. Como pessoa, construo-me a cada dia com base nas virtudes próprias ao bem-comum e no perfeito entendimento de que a serenidade da alma é a manifestação interna da gratidão. Como profissional, acrescento a tudo o que se revela em valores e virtudes, o entendimento de pensamento e literacia.
Pus-me a ser alfabetizado em casa, a partir dos jornais que o meu pai comprava aos domingos. No ano de 1970, iniciei a formação escolar na cidade de Belo Horizonte, foi o ano do nascimento do meu irmão mais novo, não a última, que nasceu e morreu em 1974.
Não vou focar numa série cronológica de atos, fatos ou eventos, em algumas situações, retornarei ao passado, em outras, avançarei ao futuro, pois, quando queremos expressar sentimentos de valor e gratidão, recomenda-nos o discernimento, valer-se dos mais longevos e que ainda estejam em condições de compreender a narrativa, como os primeiros a serem lembrados.
Assim, passo a narrar um período intermediário da minha vida. Parte significativa da minha vida profissional, com reflexos na pessoa e no homem.
No ano de 1994, como Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais, servia na Academia de Polícia Militar, no bairro Prado, na cidade de Belo Horizonte. No dia 7 do mês de fevereiro daquele ano, o Coronel Genedempsey Bicalho Cruz assumiu o Comando da Academia de Polícia Militar, em substituição ao Coronel Sebastião Carlos Lopes. Um dia singular na minha vida, referia-se ao dia de aniversário natalício da minha mãe - Maria de Lourdes Braga.
Eu havia trabalhado com o Coronel Sebastião Carlos Lopes, durante o seu comando de praticamente um ano. Quando cheguei na Academia de Polícia Militar, oriundo da Universidade Federal de Uberlândia, onde frequentei o Programa de Pós-Graduação em Trânsito, passei a ser a pessoa a quem ele confiava muitas coisas, infelizmente, o Coronel Sebastião Carlos Lopes já é falecido.
O Coronel Genedempsey Bicalho Cruz, como 1º Tenente, foi meu Chefe de Curso durante o meu segundo ano do Curso de Formação de Oficiais – Período Básico, no ano de 1984. O seu pai, o Coronel Wilson Manso da Cruz, havia comandado o 7º Batalhão da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, sediado na cidade de Bom Despacho, minha cidade natal, creio que em algum momento das nossas vidas tenhamos nos encontrado, sem nos conhecermos, na Vila Militar daquela Unidade.
A hipótese é plausível por vários motivos: eu e meus pais morávamos limítrofes à Vila Militar, na Vila Aurora; a origem da minha mãe é naquela Vila Militar, onde nascera em 1940; meu avô, o 3º Sargento Galdino Antônio dos Santos, foi praça do 7º BPM; os meus tios foram praças no 7º BPM; os meus tios estudaram no Colégio Tiradentes da Polícia Militar que funcionava naquela Unidade; alguns parentes do meu pai foram militares no 7º BPM; vários conhecidos da minha mãe e do meu pai moravam na Vila Militar do 7º BPM; éramos presença certa nas festas que lá aconteciam; e era um local onde assistíamos filmes e nos divertíamos.
Voltei a encontrar-me com o Coronel Genedempsey Bicalho Cruz, quando ele era o Chefe de Gabinete do Comandante-Geral da PMMG, isso no mês de outubro do ano de 1987, por ocasião da minha Declaração a Aspirante a Oficial. Fui até o Comando-Geral da Corporação para manifestar ao Excelentíssimo Senhor Comandante-Geral da PMMG, Coronel José Braga Júnior, a minha intenção de servir na cidade de Bom Despacho. O Coronel José Braga Júnior – Oficial sobre o qual várias vezes escrevi - era o Comandante da Academia de Polícia Militar quando ingressei no Curso de Formação de Oficiais – Período Básico, no dia 31 de janeiro de 1983.
O Coronel Genedempsey Bicalho Cruz, que aos meus olhos, apresenta como maior qualidade a capacidade intrínseca de leitura do ambiente, suportada pelo sentido de pertença, ao conjunto das pessoas que trabalham diretamente com ele, teve o mérito de conjugar escolhas acertadas, profissionais compromissados e alta carga de conhecimento técnico-profissional da sua assessoria.
Optou, durante o seu início de Comando à frente da Academia de Polícia Militar, por Oficiais das turmas de 1986, 1987 e 1988, apesar de nunca ter mencionado qualquer palavra a respeito, a partir de uma análise fria da realidade, podemos abstrair que a escolha tende ao padrão da formação profissional de Polícia Militar em Minas Gerais.
Falar em padrão da formação profissional de Polícia Militar em Minas Gerais? Em optar por Oficiais das turmas de 1986, 1987 e 1988? O que isso tem a ver com as escolhas do Coronel Genedempsey Bicalho Cruz?
Para quem não conhece adequadamente, poderá interpretar equivocadamente, tratar-se a formação profissional da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, como uma formação linear, segundo um protocolo; não o é. Há um divisor de águas, o seu nome: Coronel Klinger Sobreira de Almeida.
O Coronel Klinger Sobreira de Almeida assumiu o Comando da Academia de Polícia Militar em julho de 1984, a Turma de Aspirantes a Oficial de 1984, formou-se em outubro daquele ano. Obviamente que a única relação da Turma de 1984 com o Coronel Klinger Sobreira de Almeida, prende-se à placa que registra o nome dos Aspirantes a Oficial de 1984.
Naquela época a formação profissional era balizada pelas Normas Para o Planejamento e a Conduta do Ensino – NPCE, expedida no ano anterior ao ano acadêmico, portanto, apenas deu-se cumprimento ao planejado anteriormente.
A Turma de Aspirantes a Oficial de 1985, no seu último ano de curso, cumpriu o planejamento da equipe do Coronel Klinger Sobreira de Almeida. A equipe era composta pelos melhores profissionais, que existiram naquele momento histórico da PMMG. No mês de janeiro de 1985, como oportunidade de conhecimento da realidade operacional da PMMG, ocorreu o estágio nas Unidades Operacionais, sediadas no interior do Estado de Minas Gerais. A formatura, que até então ocorria no mês de outubro, passa a ser no mês de dezembro, há uma valorização da matriz curricular com a incrementação de matérias operacionais de polícia e a ênfase nas disciplinas ligadas às ciências jurídicas.
A Turma de Aspirantes a Oficial de 1985, viveu efetivamente, um ano de formação profissional segundo a visão holística do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe, entre os quais, podemos destacar os Coronéis Amauri Meireles; Lúcio Emílio do Espírito Santo; Euro Magalhães; e Edgar Eleutério Cardoso.
A Turma de Aspirantes a Oficial de 1986, vivenciou dois anos de formação profissional segundo a visão holística do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe, isso porque, o seu primeiro ano de formação foi segundo o planejamento do Comando anterior e já decorria, quando o Coronel Klinger Sobreira de Almeida, assumiu o Comando. Já, em janeiro de 1985, ocorreu o estágio nas Unidades Operacionais da PMMG, sediadas na Capital do Estado. No mês de janeiro de 1986, ocorreu o estágio nas Unidades Operacionais da PMMG, sediadas no interior do Estado de Minas Gerais. A formatura ocorreu no mês de dezembro do ano de 1986.
A Turma de Aspirantes a Oficial de 1987, é a única que vivenciou toda a sua formação profissional segundo a visão holística do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe, mesmo tendo o Coronel Klinger Sobreira de Almeida, transmitido o Comando da Academia de Polícia Militar em março de 1987. Isso porque de acordo com Normas Para o Planejamento e a Conduta do Ensino – NPCE, apenas deu-se cumprimento ao planejado no ano anterior. Em janeiro de 1986, ocorreu o estágio nas Unidades Operacionais da PMMG, sediadas na Capital do Estado. No mês de janeiro de 1987, ocorreu o estágio nas Unidades Operacionais da PMMG, sediadas no interior do Estado de Minas Gerais. A formatura, a fim de atender demanda interna da Corporação, voltou a ocorrer no mês de outubro.
No ano de 1987, ocorreu pela primeira vez, a Jornada Policial, em substituição ao Acampamento Militar. As duas turmas de Cadetes, que compunham a Turma de Aspirantes a Oficial de 1987, dividiram a Capital do Estado em duas áreas e suplementaram o policiamento ostensivo, durante uma semana, valendo-se do efetivo de alunos da Academia de Polícia Militar.
A Turma de Aspirantes a Oficial de 1988, vivenciou dois anos de formação profissional segundo a visão holística do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe, isso porque, o seu primeiro ano de formação, 1986, foi sob Comando do próprio Coronel Klinger e o segundo ano, 1987, apesar de ser outro Comandante, executou-se o planejamento do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e sua equipe.
As ações do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe, não foram apenas no âmbito do Curso de Formação de Oficiais, ocorreram, também, nos demais cursos de formação e aperfeiçoamento, ofertados pela Academia de Polícia Militar.
Aqui recordo-me das palavras de um primo do lado paterno, Coronel Geraldo Donizete Luciano, Aspirante a Oficial da Turma de 1986, a par das suas reflexões sobre a própria história de vida, demonstra-nos que no Comando do Coronel Klinger Sobreira de Almeida foram criadas condições para alinhar a formação profissional à atividade operacional, sendo contratados os melhores professores e convidados os melhores profissionais, para fazer crescer o campo de visão e discernimento dos alunos da Academia de Polícia Militar, revelando-se numa mais-valia na formação profissional.
Sim, as ações do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe visavam colocar a formação profissional dos integrantes da Polícia Militar de Minas Gerais num patamar dissociado da ideia de formação militar pura e simples, o pensamento passa a ser policial - como atividade-fim e militar – como natureza da Corporação.
O ápice das ações do Coronel Klinger Sobreira de Almeida e da sua equipe é a Convênio firmado entre a Polícia Militar de Minas Gerais e a Fundação João Pinheiro com a corresponsabilidade para a oferta do Curso Superior de Polícia – CSP e do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais – CAO, denominações que evoluíram, no ano de 1999 para Curso de Especialização em Gestão Estratégica de Segurança Pública
- CEGESP e Curso de Especialização em Segurança Pública - CESP.
Creio ser plausível a hipótese, de que em algum momento da minha vida, tenha convivido com as ideias do Coronel Klinger Sobreira de Almeida, mesmo não nos encontrando. No mês de dezembro de 1976, poucos dias antes de completar 14 anos, em Belo Horizonte, comecei a trabalhar como mensageiro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, a minha Chefe chamava-se Maria Madalena de Almeida, já falecida.
Decorridos 40 anos, creio eu, talvez mais, talvez menos, conversei com o Coronel Klinger e ele falou-me da morte da sua irmã, não as circunstâncias, o fato.
Expressei ao Coronel Klinger a minha origem e ele disse-me o quanto admirava o meu tio, o saudoso e respeitado Coronel Luciano Antônio dos Santos, que instalou o 11º BPM em Manhuaçu, ele é irmão da minha saudosa mãe. Também relembrei um primo do lado paterno, o Promotor Cléber José Rodrigues, Aspirante a Oficial da Turma de 1985, genro dele – Coronel Klinger – falecido num trágico acidente automobilístico.
Após apresentar o divisor de águas, cujo nome é Coronel Klinger Sobreira de Almeida, de forma suscinta, revelamos o
padrão da formação profissional de Polícia Militar em Minas Gerais a partir de 1985 e porque optar por Oficiais das turmas de 1986, 1987 e 1988, mesmo que inconscientemente, isso tenha a ver com as escolhas do Coronel Genedempsey Bicalho Cruz. Tudo decorre da capacidade intrínseca de leitura do ambiente, suportada pelo sentido de pertença derivada da alta carga de conhecimento técnico-profissional da sua assessoria.
Antes de assumir o Comando da Academia de Polícia Militar, no exercício das atividades de Comandante e Subcomandante de Unidade Operacional, na cidade de Belo Horizonte, o Coronel Genedempsey Bicalho Cruz conviveu com vários Oficiais das turmas de 1986, 1987 e 1988, percebeu o compromisso deles com a Corporação e a correspondente capacidade profissional aliada ao conhecimento teórico.
Só isso não bastava ao Coronel Genedempsey Bicalho Cruz, ele viu além, não condicionou a forma de pensar e trabalhar a educação profissional de segurança pública, ofertada pela Polícia Militar de Minas Gerais, centrada dentro do espaço físico da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais. Era preciso ir além, conhecer o produto final e a forma como se relaciona com os objetivos institucionais e da sociedade destinatária dos serviços ofertados pela Corporação.
A análise dos processos, a forma como lida com a comunidade acadêmica, a produção intelectual, a redefinição de protocolos, a produção de conhecimento no campo da segurança pública, a liberdade de ação, a corresponsabilidade e sobretudo a pertença, foram ações que contribuíram para o fortalecimento da Academia de Polícia Militar.
A Academia de Polícia Militar já não era apenas o trinômio formar-especializar-atuar, isso já estava ultrapassado Era preciso transformar para além do pensamento centrado nos objetivos do Estado, era preciso fazer com que o espaço acolhesse não apenas os profissionais da Polícia Militar, era imperativo que as pessoas passassem o ser o foco. Era preciso construir um sentido de pertença que não fosse balizado pelos estatutos, afinal, a ação de polícia é discricionária, mas não arbitrária.
Era, como foi, um período de grandes transformações. As pessoas, como princípio, não apenas as pessoas que lá serviam. As pessoas como um todo, um compromisso com a vida, que não fosse balizado pelo protocolo, algo que vive em nós e cresce em nós: o respeito pelo significado da vida e a doação ao próximo.
A anomia - o desrespeito pelos valores, a falta de consideração pela pessoa humana - não deve prevalecer, há que preocuparmos-nos com o profissional como pessoa, como parte da nossa consciência e do nosso compromisso com o estado de bem-estar social. Acompanhar, amparar e solidarizar-se com o sofrimento, sendo parte da busca da solução. Assim pensando, o Coronel Genedempsey Bicalho Cruz, incentivou programas de doações de órgãos e valorização da vida.
O Centro Infantil Sargento Marizeth Cardoso da Mata foi uma das manifestações próprias do Comando do Coronel Bicalho, que homenageava a profissional especialista da PMMG, violinista da Orquestra Sinfônica, que perdeu a vida no ano de 1994.
Lembro-me da Sargento Marizeth, pois, cumpria diligência do serviço público em São Paulo, dentro das ações pragmáticas do Comando do Coronel Bicalho, numa estratégia de liberdade de ação e corresponsabilidade com a produção intelectual, onde fui-me reunir com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, com o objetivo de divulgar a Revista O Alferes. A visitei no Hospital da Beneficência Portuguesa e, creio, que tenha sido eu, o último integrante da PMMG a estar com ela, em vida.
A preocupação com a vida não se restringia aos integrantes da Corporação, nem tampouco, àqueles que serviam na Academia de Polícia Militar, ia além, alcançava os familiares de todos. Lembro-me que no dia 14 de setembro de 1994 o meu pai – Manoel Braga da Silva, foi a óbito, eu não possuía meios de transportes e fui prontamente amparado e socorrido pelo pragmatismo decorrente das ideias do Coronel Genedempsey Bicalho Cruz.
Como alguém que se envolve, e tem como responsabilidade sua, as estratégias que ajudou a construir, ao assumir a doação de órgãos como uma premissa de valorização da vida, em 20 de abril de 1999, na cidade de Divinópolis, no Hospital São João de Deus, eu e os meus irmãos, autorizamos a retirada e a doação dos órgãos da minha mãe, vítima de AVC e traumatismo craniano.
Anos após, com a ampliação do acesso à informação, recordei-me de uma interpelação feita à minha pessoa pelo Coronel Bicalho, onde foi-me questionado sobre a hipótese da minha participação num curso sobre Polícia no Japão. Hoje, percebo que toda a estratégia de Comando do Coronel Bicalho, coadunava com o conceito da atuação de polícia construído por Orlando Winfield Wilson, Robert Peel e pelos pensadores
Japoneses de formulação de políticas públicas, voltadas para a atuação da Polícia no Japão.
O pragmatismo que orientou a elaboração de uma linha-mestra, visando a construção das matrizes curriculares dos cursos ofertados pela Academia de Polícia Militar, com base nas Normas Para o Planejamento e a Conduta do Ensino – NPCE, decorreu da capacidade intuitiva e da consciência do Coronel Bicalho, em perceber que o foco deve ir além de simplesmente formar-especializar-atuar, sendo preciso ser parte integrante da comunidade.
Particularmente, nem eu ou qualquer outra pessoa, que hipoteticamente, tenha passado por situações semelhantes, valendo-se de pensamentos, ações, camaradagem, compromisso e pertença ao conjunto das ideias que nos elevam ao estado de consciência que se expressa em gratidão, tenha o perfeito entendimento de tudo isso e, mesmo que persista na busca de respostas, nem sempre necessárias, faz crescer a capacidade de compreender o mundo, as pessoas, as dores, as frustações e as ansiedades que nos elevam ao bem-comum.
Tenho comigo a ideia de que o Coronel Klinger Sobreira de Almeida moldou, na Polícia Militar de Minas Gerais, um padrão de formação profissional e que o Coronel Genedempsey Bicalho Cruz teve a sensibilidade própria dos altruístas, ao moldar o profissional que forma o padrão. Por isso são partes complementares de um sólido denominado Educação Profissional de Segurança Pública. Assim como o Coronel Antônio Norberto foi uma referência para a Polícia Militar de Minas Gerais, esses Coronéis, que se construíram a partir das suas ideias, também o são.
*Carlos Alberto da Silva Santos Braga, Major Veterano da PMMG é Aspirante a Oficial da Turma de 1987.

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