NOSSA HISTÓRIA

Compulsando as obras que se referenciam aos fatos históricos ocorridos após a metade do século XIX, na década de 1860, avalia-se que no período do segundo reinado do Brasil Imperial, em razão da efervescência econômica experimentada pela Província do Maranhão, esta, se destaca culturalmente, com o renascimento da literatura, tomando novos rumos, em uma reação auspiciosa à apatia que durante anos seguidos tomara conta da já conhecida produtividade cultural maranhense.

Nomes já consagrados no jornalismo, literatura e crônicas impulsionam a produção cultural surgindo o epíteto de Athenas Brasileira, possivelmente reforçado de forma cotidiana através dos jornais que aqui se estabeleceram. Referidos jornais passaram a reforçar a representação de uma identidade europeia, culta, erudita e “branca” (A branquitude significa pertença étnico-racial atribuída ao branco. O lugar mais elevado da hierarquia racial, um poder de classificar os outros como não brancos, que, dessa forma, significa ser menos do que ele. O ser-branco se expressa na corporeidade, a brancura. E vai além do fenótipo. Ser branco consiste em ser proprietário de privilégios raciais simbólicos e materiais) fazendo com que São Luís valorasse uma imagem exterior, na construção de uma identidade baseada no “estrangeirismo”.

O ressurgir da intelectualidade, faz com que São Luís desperte uma postura aristocrática e o comportamento de sua sociedade fosse associada à Atenas, capital da Grécia, berço da civilização ocidental.

É neste período que o Maranhão passa a reunir grandes intelectuais maranhenses que retornam das melhores universidades do país e da Europa: poetas, escritores, jornalistas, cientistas, músicos, compositores, romancistas, atores, cronistas e críticos.

Figuras proeminentes como Manuel Odorico Mendes (o maior especialista em línguas antigas), Francisco Sotero dos Reis (o maior gramático e filólogo brasileiro), João Francisco Lisboa (um dos mais respeitados historiadores e jornalistas brasileiros), Candido Mendes de Almeida (jornalista), Antônio Gonçalves Dias (o maior poeta brasileiro), Pedro Nunes Leal (jornalista, filólogo e  lexicógrafo), Antônio Henriques Leal (jornalista e escritor), Joaquim Gomes de Sousa (o maior matemático brasileiro), Joaquim Manuel de Sousa Andrade “Sousândrade” (escritor e poeta), Teófilo Odorico Dias de Mesquita (jornalista e poeta), Raimundo Teixeira Mendes (filósofo e matemático), Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo (dramaturgo, poeta, contista e jornalista), Antônio Carlos dos Reis Rayol (compositor, tenor, violonista e regente), Aluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo (romancista, contista, cronista, caricaturista e jornalista), Benedito Pereira Leite (jornalista), Adelino Fontoura Chaves (jornalista, ator e poeta), Raimundo da Mota de Azevedo Correia (poeta), Raimundo Nina Rodrigues (pesquisador, antropologista e etnólogo), Catulo da Paixão Cearense (poeta, músico e compositor), Henrique Maximiano Coelho Netto (escritor, cronista, folclorista, romancista, crítico e teatrólogo)  e tantos outros.

Nesse contexto, Manuel Francisco Pacheco “Fran Paxeco” (escritor e jornalista), que embora português de nascimento, ao chegar à São Luís em 02 de maio de 1900, desempenhou importante e decisivo papel na vida cultural maranhense, com seu tirocínio, visão de mundo e vasta cultura, tornando-se imprescindível para a movimentação da vida são-luizense sob os mais diversos aspectos, tornando-se ao lado de Antônio Francisco Leal Lobo (jornalista, poeta, romancista, professor, tradutor, publicista e polemista compulsivo), colunas mestras para a força arrebatadora do verbo de Coêlho Neto que falava às multidões como um profeta anunciador da ressurreição que era imperativo promover. Em todas as iniciativas relevantes tomou parte e de muitas foi o impulsionador: membro fundador das Oficinas dos Novos, da Academia Maranhense de Letras, da Legião dos Atenienses e de numerosas outras instituições culturais e científicas do Maranhão e de outros Estados, como o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM) nascido de uma ideia sua.

Já haviam se desenvolvido, nessa época importantes realizações que contribuíram para  transformar o Maranhão, no grande cenário da poesia, da prosa e da produção jornalística no século XIX, destacando-se a inauguração do Teatro Artur Azevedo (01/07/1817), a fundação da Biblioteca Pública Benedito Leite (03/05/1831), a fundação do Colégio Liceu Maranhense (24/07/1838) e a Associação Literária do Ateneu Maranhense.

No alvorecer do século XX, um outro grupo de intelectuais maranhenses destaca-se na vida cultural brasileira: João Dunshee de Abranches Moura (jornalista e polígrafo), José Pereira da Graça Aranha (escritor), Antônio Francisco Leal Lobo (jornalista e poeta), Humberto de Campos Veras (jornalista e escritor).

E mais recentemente, a grande cantora e compositora Maria de Lourdes Argollo Oliver (Dilú Melo) e os poetas e escritores Josué de Sousa Montello, José Sarney de Araújo Costa (José Sarney), José de Ribamar Ferreira (Ferreira Gullar), Nauro Diniz Machado, Arlete da Cruz Machado, que continuaram a enaltecer a cultura maranhense e brasileira.

Nessa digressão artística e literária, ao longo do tempo, onde várias entidades floresceram em plagas maranhenses, reforçando o glorioso passado da Athenas Brasileira como as já referenciadas Academia Maranhense de Letras (AML) e o Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), nasceram as Academias Maçônica de Letras, Maranhense de Ciências Contábeis, Maranhense de Medicina, de Letras Jurídicas, Ludovicense de Letras (ALL) e tantas outras como, as Academias de vários municípios maranhenses.

Faltava preencher uma lacuna, pois a Polícia Militar do Maranhão (PMMA) como instituição quase bicentenária, que já contou em seus quadros com figuras proeminentes e destacadas da sociedade maranhense, cuja oficialidade por seus naturais ofícios desenvolvem estudos, projetos, programas, planejamentos, manifestos, artigos, discursos, teses e tantas outras obras de cunho profissional e que por conseguinte, já emprestou hábeis homens das letras aos sodalícios, tornando-os imortais; precisava ocupar tal espaço.

Desde tenra idade, despertei para as letras, escrevendo quadrinhas, acrósticos, versos e pequenos poemas em geral, destinados as musas que me encantaram na adolescência e na juventude.

Durante os idos de 1981, ao ingressar na PMMA para frequentar o Curso de Formação de Sargentos (CFS), compus e eternizei a canção do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) e mais tarde, entre os anos de 1985 a 1987, no Curso de Formação de Oficiais (CFO), vivenciei na Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a produção de obras técnicas e literárias desenvolvidas por policiais militares daquele Estado que em geral, eram estimulados pela corporação, recebendo o reconhecimento institucional por suas obras de cunho técnico-profissional ou literário, onde passavam a usufruir da divulgação que ultrapassava os muros dos quartéis mineiros, para ganharem o Brasil e o mundo.

Foi o combustível que me faltava para reascender o pendor como escritor, pois na Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, me propus ao lançamento de uma revista comemorativa de minha turma, onde mesmo recebendo autorização para tal empreitada, faltou-me o principal – apoio. Entretanto, segui em frente na árdua tarefa, coletando informações, produzindo textos, utilizando-me de fotografias de meus arquivos, desenvolvendo inclusive a função de diagramador e para não ferir suscetibilidades, no expediente registrei nomes de alguns atores que em nada contribuíram para o sucesso das atividades desenvolvidas.

Sem receber qualquer benesse de meus superiores hierárquicos quanto às minhas responsabilidades acadêmicas, ao contrário, enfrentando uma gama de adversidades, superei-as e nas festividades de formatura no dia 10 de outubro de 1987, 500 exemplares da Revista Comemorativa da Turma de Aspirantes 1987 da Academia de Polícia Militar da Polícia Militar de Minas Gerais foi ofertada aos participantes da solenidade.

Retornando ao Maranhão, como Aspirante, Tenente, Capitão, Major e Tenente Coronel, pus-me a aprimorar meus escritos, escrevendo textos opinativos, artigos técnicos e trabalhos de conclusão de meus cursos, publicando-os em periódicos, revistas, sites e criando um blog para preservar minhas criações.

Com essas experiências bem-sucedidas, o ideário em criar um sodalício literário no Maranhão, especificamente composto de policiais e bombeiros militares, bem como personalidades naturais que com a PMMA e CBMMA possuíam estreitos laços fraternos, foi se fortalecendo. Desta forma, aqueles que possuíam habilidades como escritores, somados aos mestres e doutores acadêmicos, foram sendo sondados objetivando ao lançamento de mais uma notável experiência, a criação de uma Academia Maranhense de Letras e Ciências.

À medida que a ideia foi tomando corpo, consultamos aos já convidados, sobre a ideia de incorporar ao nosso projeto, os artistas plásticos, compositores, músicos e possuidores de outras habilidades artísticas que de pronto foi aceita com satisfação.

Assim, após reuniões, diálogos e sugestões, com a presença de 22 fundadores no templo do Brigadeiro Falcão, o quartel do Comando Geral da PMMA, no dia 31 de maio de 2018, nasceu a ACADEMIA MARANHENSE DE CIÊNCIAS, LETRAS E ARTES MILITARES – AMCLAM “A Casa de Feliciano Antônio Falcão”.

Acadêmico Carlos Augusto Furtado Moreira
Idealizador da AMCLAM