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GILMAR VALE FAZÃO: Um cometa que passou nesta vida terrena | Carlos Augusto Furtado Moreira




GILMAR VALE FAZÃO

Um cometa que passou nesta vida terrena.




Um ser de luz que, rápido como um cometa, deixou seu brilho resplandecente nas artes maranhenses e no templo do Brigadeiro Falcão, a Academia Maranhense de Ciências Letras e Artes Militares – AMCLAM, em meio a intelectuais e autoridades.


Angariou o respeito e a admiração por seus atributos, dos quais se destacava a humildade, disponibilidade e o espírito colaborativo; sua incrível vontade de cada vez mais sobressair com a qualidade de suas produções artísticas surpreendia a todos pela multiplicidade: desenhista, letrista, cartazista, caricaturista, chargista, serigrafista, escultor, cenógrafo teatral, aderecista e figurinista teatral, artesão, artista plástico, restaurador; especialista em artes gráficas computadorizadas: logotipos, escudos, mapas, banners, projetos e afins, sendo autodidata em todas as habilidades.


Assistia todos com interesse quando se tratava da criação de algo novo, pois, ao tempo em que recebia as informações das encomendas, ia formatando, em seu cérebro privilegiado, ideias geniais.


Nascido aos 24/10/1962, em uma família de 14 irmãos, filhos do Sr. Apolinário Araújo Frazão e da Sra. Terezinha Vale Frazão, tendo o seu nome escolhido por seu pai, que homenageou o grande goleiro da seleção brasileira da época.


Como qualquer criança, teve uma infância feliz, estudou e brincou com seus amigos, mas destacou-se desde a tenra idade, quando a arte fluía em suas veias, pois sua brincadeira preferida eram os rabiscos que gostava de fazer, transformando-os em desenhos que classificava inicialmente de rudimentares e que, aos poucos, foram melhorando, tendo as paredes de sua casa, de pau-a-pique, rebocadas com cal virgem no bairro da Aurora, em São Luís, como suas primeiras telas, onde desenhava e pintava-as com carvão, como narrou em sua resumida autobiografia; em geral, satisfeito com as suas produções, sempre tomava uma “coça” de dona Terezinha, por “sujar as paredes”.


Retratou um fato que nunca saiu de sua mente juvenil: quando possuía entre quatro e seis anos, na escola (Jardim de Infância) onde estudava, promoveu uma visita a uma fábrica de refrigerantes, no bairro Outeiro da Cruz, em São Luís, em cujo pátio anunciaram um concurso. O aluno que fizesse o desenho mais bonito seria premiado. A grande maioria de seus colegas recebeu uma folha branca de papel, presa a uma prancheta, lápis de cores variadas, enquanto que ele recebeu apenas um lápis preto e um marrom; sem muitas opções, ficou a pensar no que poderia apresentar. Sentado em um canto, resolveu desenhar uma garrafa de refrigerante e coloriu com o lápis marrom o conteúdo, sendo um dos últimos a entregar. Envergonhado, entregou seu desenho virado para baixo para que não notassem. Logo em seguida, iniciaram as avaliações, quando ouviu alguém falar: que maravilha; muito lindo; essa criança é um gênio e observou que sua criação era exaltada, assim, sendo premiado.


Por volta dos 12 anos, seu pai faleceu, e, como possuía quatro irmãos mais novos, teve que trabalhar para ajudar a mãe. Vendeu picolés, cocada, pirulitos e laranjas, de tarde até ao anoitecer, em uma banca de madeira iluminada por lamparina a querosene, em um ponto de ônibus da antiga Empresa Transútil, no bairro onde residia.


Essas dificuldades foram fatores estimulantes e para tentar compensar sua fragilidade física, pois, mesmo com 13 anos de idade, era franzino e levava “calotes” dos jovens mais velhos, o que o estimulou a treinar artes marciais (Karatê), tornando-se um bom aluno e cuja habilidade foi extremamente útil quando foi servir no 24° Batalhão de Caçadores (Exército Brasileiro), onde ganhou algumas competições internas. Na mesma época, sua performance artística foi reconhecida e destacando-se, passou a preparar os murais das instruções de oficiais e sargentos de sua Subunidade, a Companhia de Comando e Serviços - CCS, permanecendo ali até fevereiro de 1984, quando ingressou na Polícia Militar do Maranhão.


Sua arte, ao mesmo tempo em que lhe permitia trabalhar na área administrativa, rompeu barreiras e obstáculos, pois, ainda no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças – CFAP, criou o escudo da Escola Militar, os brevês dos cursos de formação e aperfeiçoamento de sargentos, cabos e soldados, além de ilustrar as apostilas dos referidos cursos por onze anos, entre 1984 e 1995.


Seu legado é vigoroso na instituição, uma vez que criou escudos de outras Unidades da PMMA, como o da Academia de Polícia Militar Gonçalves Dias - APMGD (juntamente com o Cadete à época Tupinambá); da Diretoria de Apoio Logístico – DAL; ilustrou o Regulamento de Uniformes da Polícia Militar (RUPOM); criou o modelo de carteira de identidade; criou o brevê do Curso de Formação de Oficiais – CFO; ilustrou o Livreto do E.C.A. (Tem. Cel. William); durante todo o período em que esteve no serviço ativo, fez a pintura e identificação visual nos muros dos quartéis do 1º BPM, 6º BPM, 8º BPM, 9º BPM, DAL, CANIL, CAVALARIA, Colégio Militar Tiradentes e CFAP.


Foi um batalhador incansável e, paralelamente, em seus momentos de folga, desenvolveu trabalhos cenográficos para peças teatrais e de balé, tendo alguns sido enviados para a Itália. Realizou vários trabalhos para escolas de São Luís, empresas, solenidades, festas diversificadas e para admiradores da arte de modo geral.


O conjunto de sua obra é riquíssimo, amplo e variado. Alguns registros.

Realizou um maravilhoso trabalho, restaurando a estátua da Deusa da Justiça do Ministério Público do Maranhão, semidestruída.


Um artista dessa grandeza, integrante da Polícia Militar do Maranhão, com uma folha de serviços prestados à corporação, não poderia ficar fora do novo sodalício cultural que se criou em 2018, e foi exatamente porque era um artista que a Academia de Letras Militares ampliou-se para a qualidade “mista” e assim poder-se incluir, as “artes”.


E eu estava certo: além de trazer beleza em plenitude por meio de seus trabalhos, foi um Acadêmico com papel destacado, pois por meio desta, contribuiu decisivamente para que a AMCLAM fosse se solidificando. Foi Segundo e Primeiro Secretário no primeiro triênio e escolhido para ser o Primeiro Tesoureiro do segundo triênio; era participante ativo de todos os eventos institucionais.


É de sua autoria: o Escudo (venceu outros escudos apresentados por outro artista no dia da assembleia de criação da AMCLAM); Desenho a lápis de cor da imagem e do Busto do Brigadeiro Feliciano Antônio Falcão, patrono da Academia), esculpindo-o; dos Banners; da arte das camisas; da Bandeira; do Projeto Gráfico da Revista Anuário; dos Diplomas dos Acadêmicos e dos assistentes de eventos; da Carteira de identificação; do desenho do Monsenhor Hélio Maranhão, patrono da cadeira nº 02 e da Espada dos Acadêmicos.


Um trecho de sua síntese biográfica, registrada em nosso site (www.amclamma.org/academicos), que muito me emociona: “Nesse interregno de tempo, teve o prazer em conhecer o Tenente (na época) Carlos Augusto Furtado Moreira, hoje Coronel, do qual se tornou grande amigo, uma vez que este percebeu nele um talento a ser explorado e valorizado — não como alguém que tinha que ir na carroceria por ser Soldado, e, sim, na boleia por ser artista. Hoje sente-se extremamente honrado, pois tornou-se membro Efetivo e Perpétuo da Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares (AMCLAM), a convite deste seu valoroso amigo, onde passou a ocupar a cadeira n° 17 que tem como patrono Alberto Corrêa Maia.


Meu querido amigo, meu Confrade, meu irmão Frazão, todos nós sabemos que um dia iremos para o reino celestial, para a glória do Pai, e esse dia é um mistério. Você, com certeza, está enriquecendo esse plano com as suas habilidades, inteligência, perspicácia e tantos outros atributos que possuía, mas estou convicto de que, mais de que tudo isso, você está espalhando humildade, que era a sua maior característica.


Carlos Augusto Furtado Moreira


16. Jul . 2021.




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