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  • Carlos Furtado

A ESPADA E O LIVRO | Carlos Furtado

Atualizado: 2 de ago.




E/d:3ª Fileira: F. Guimarães, Porto, Rodney, M. Antônio, M. Costa, Oliveira, Sanches, Franklin, Ricardo, Mac Dowel, Magela in memoriam, Campos, Matuzail, Vinicius, Celton, Bettoni, J. Augusto, Patrício (PMPB), R. Campos (PMMA), Adenilson, Caubis, Welinton, Diniz (PMPB). 2ª Fileira: Maj Martinho (Cmt CFO), Morais in memoriam, Novaes, Pires in memoriam, Carlos, Munhoz, Hueber, Cláudio, Oliveiros, Leoni, Couto, Antônio, Edivar (PMCE), Machado, Macêdo (PMAL), Santana, Ramalho, Evaristo, Putini, Jáder, Sousa. A. Prado, Isley, Adelson, G. Filho, Túlio, Renato, Wilson, Sandro, Santos, Caldas, Rogério, Noguchi, Euripes, Braga, Claiton, 1º Ten Jairo (Chefe Curso). 1ª Fileira: Albuquerque (PMAL), Francisco, Domingos, Mendes, Negraes, Queiroz, Ribeiro (PMAM), J. Costa (PMAM), Adarildo (PMMT) in memoraim, Amarílio (PMCE), Paulo, Campolina, Roberto, C. Wagner, Soares, Rodrigues, Alan, Carlos Augusto (PMMA) “Furtado”, Leal, Rawson in memoriam, Bueno, Vicente (PMSE).



Na gloriosa Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, reconhecida como referência na produção de segurança pública, contribuindo para a construção de um ambiente social seguro em Minas Gerais, a qual, foi criada como Departamento de Instrução em 03/03/1934 e onde tive o privilégio em cursar, Formação de Oficiais, entre os idos de 1985/1987; em alguns de seus espaços físicos que integram suas instalações, há vários exemplos incentivadores, grafados em suas paredes, um singular:



Versos do poema QUEM DÁ AOS POBRES, EMPRESTA A DEUS de Antônio Frederico de CASTRO ALVES, reverencia o saber e as armas, juntos, em defesa dos valores e dos interesses da nação brasileira.


Castro Alves, um dos últimos grandes poetas do Romantismo no Brasil, cognominado “Poeta dos escravos”, foi sensível aos graves problemas sociais do seu tempo, expressando sua indignação contra as tiranias e denunciando a opressão do povo.


Por outro lado, era o grande poeta do amor, produtor de uma poesia amorosa e sensual, onde descreveu a beleza e a sedução da mulher. Em sua visão: o amor, como uma experiência viável e concreta, capaz de trazer tanto a felicidade e o prazer quanto a dor.


Da sapiência daqueles versos, tomei como referenciais e conquistei dois troféus que me eternecem a alma.


A minha ESPADA, recebida com honra e glória, ainda naquele templo de saber.



Os LIVROS, frutos da experiência e dos conhecimentos adquiridos e acumulados ao longo dos anos, escritos e publicados, após fundar com mais vinte e um Confrades, possuidores de habilidades, a Academia Maranhense de Ciências, Letras e Artes Militares - AMCLAM “A Casa do Brigadeiro Falcão”, em 31/05/2018.




Uma verdadeira obra prima: QUEM DÁ AOS POBRES, EMPRESTA A DEUS

Castro Alves


Eu, que a pobreza de meus pobres cantos

Dei aos heróis — aos miseráveis grandes — ,

Eu, que sou cego, — mas só peço luzes...

Que sou pequeno, — mas só fito os Andes...

Canto nest'hora, como o bardo antigo

Das priscas eras, que bem longe vão,

O grande NADA dos heróis, que dormem

Do vasto pampa no funéreo chão...


Duas grandezas neste instante cruzam-se!

Duas realezas hoje aqui se abraçam!

Uma — é um livro laureado em luzes.

Outra — uma espada, onde os lauréis se enlaçam.

Nem cora o livro de ombrear co'o sabre

Nem cora o sabre de chamá-lo irmão

Quando em loureiros se biparte o gládio

Do vasto pampa no funéreo chão.


E foram grandes teus heróis, ó pátria, — Mulher fecunda, que não cria escravos — , Que ao trom da guerra soluçaste aos filhos: "Parti — soldados, mas voltai-me — bravos!" E qual Moema desgrenhada, altiva, Eis tua prole, que se arroja então, De um mar de glórias apartando as vagas Do vasto pampa no funéreo chão. E esses Leandros do Helesponto novo Se resvalaram — foi no chão da história Se tropeçaram — foi na eternidade Se naufragaram — foi no mar da glória E hoje o que resta dos heróis gigantes? Aqui — os filhos que vos pedem pão Além — a ossada, que branqueia a lua, Do vasto pampa no funéreo chão.

Ai! quantas vezes a criança loura Seu pai procura pequenina e nua, E vai, brincando co'o vetusto sabre, Sentar-se à espera no portal da rua... Mísera mãe, sobre teu peito aquece Esta avezinha, que não tem mais pão!... Seu pai descansa — fulminado cedro — Do vasto pampa no funéreo chão. Mas, já que as águias lá no sul tombaram E os filhos d'águias o Poder esquece É grande, é nobre, é gigantesco, é santo!... Lançai — a esmola, e colhereis — a prece!... Oh! dai a esmola... que do infante lindo Por entre os dedos da pequena mão, Ela transborda... e vai cair nas tumbas Do vasto pampa no funéreo chão. Há duas cousas neste mundo santas: — O rir do infante, — o descansar do morto... O berço — é a barca, que encalhou na vida, A cova — é a barca do sidéreo porto... E vós dissestes para o berço — Avante! — Enquanto os nautas, que ao Eterno vão, Os ossos deixam, qual na praia as âncoras, Do vasto pampa no funéreo chão. É santo o laço, em qu'hoje aqui s'estreitam De heróicos troncos — os rebentos novos — ! É que são gêmeos dos heróis os filhos, Inda que filhos de diversos povos! Sim! me parece que nest'hora augusta Os mortos saltam da feral mansão... E um "bravo!" altivo de além-mar partindo Rola do pampa no funéreo chão!...